casa

MARIA CAROLINA

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O primeiro diálogo que tivemos com os clientes, um casal jovem, foi para ajudá-los a decidir pela compra da casa.  Avaliamos o contexto da legislação no bairro e a partir daí começamos a traçar a estratégia do projeto em conjunto. Descobrimos nas pesquisas que a casa foi construída na década de 40 e que fazia parte de um conjunto de cinco unidades geminadas, que compartilham o mesmo telhado, mas cada uma tem a sua particularidade resultante das diversas reformas e adaptações executadas, ao longo do tempo.

 

No contexto urbano, o bairro do Jardim Paulistano é tombado pelo CONDEPHAAT, conselho de defesa do patrimônio histórico estadual.  Isso resultou em algumas limitações iniciais que, no processo do projeto, transformamos em pontos positivos. Por exemplo: criamos uma grande porcentagem de área permeável no terreno, garantimos o número mínimo de árvores e mantivemos a memória do conjunto das casas. Os clientes haviam nos pedido bastante iluminação natural e ventilação, espaços mais generosos, além um segundo banheiro. Informaram o valor estimado de suas possibilidades de investimento financeiro na obra, o que nos ajudou a montar a proposta de trabalho.

 

O ponto de partida do projeto foi a demolição de diversas paredes estruturais de tijolo maciço. Com as paredes demolidas, fizemos reforços estruturais com vigas e pilares metálicos. Esse procedimento permitiu inverter a lógica comum de organização do espaço residencial da década de 1940: a cozinha passou a ocupar a parte da frente da casa e foi integrada com a área de convivência que ficou voltada para o fundo, onde se abre para o jardim e para a nova edícula que abriga somente uma lavanderia e o lavabo.

 

No espaço lateral, anteriormente um quintal impermeável, desenhamos o acesso ao andar superior: uma escada metálica com viga central e degraus em madeira cumaru com um pequeno jardim interno sob ela.

 

A parte íntima da casa foi pensada com três quartos e um novo banheiro. Dois dos quartos foram abertos para o corredor que é iluminado por uma grande fachada de vidro que se estende desde a área de convivência no andar térreo. A estrutura de madeira do telhado foi mantida, embora fique escondida sob o forro. O piso de tacos no andar dos quartos foi retirado de um edifício em reforma no centro da cidade e recebeu o tratamento adequado para ficar com um novo aspecto.

 

Para a casa ganhar identidade, toda nova estrutura metálica foi pintada de amarelo. Essa ação animou os vizinhos a pintarem suas casas, dando ao conjunto histórico uma nova linguagem, com cores diversas. As casas coloridas, hoje, animam uma esquina do Jardim Paulistano.

Projeto: Estúdio Artigas + Sheila Altmann

Equipe: Marco Artigas e Sheila Altmann

Estrutura: Boris Cabrera

Construção: João Chacon

Marcenaria: Paulimar

Fotografias: Pedro Napolitano Prata

Localização: São Paulo - SP

Data do projeto: 2014

Data da obra: 2014

Área: 120m²